CERTO OU DEU ERRADO OU...
NEM SEMPRE É FÁCIL ACERTAR,
MAS VAMOS LÁ...

25/09/2013

NASCEM LINDAS, MAS TAMBÉM MORREM



Um pequeno botão se abre e majestosamente nasce a flor com muita graça e encanto . Despudoradamente ela mostra toda a sua beleza e sem nenhuma vergonha de ser bela.

Passando alguns dias, ela chega ao fim. Deixo no galho até a sua definitiva finitude.

Transcrevo um poema do modernista Manuel Bandeira, Flores Mortas, e faço uma modesta homenagem a este grande escritor-poeta com minhas orquídeas que nasceram e morreram neste final de inverno e começo da primavera.





FOLHAS MORTAS



Pálidas crianças 
Mal desabrochadas 
Na manhã da vida! 
Tristes asiladas 
Que pendeis cansadas 
Como flores murchas! 

Pálidas crianças 
Que me recordais 
Minhas esperanças! 

Pálidas meninas 
Sem amor de mãe, 
Pálidas meninas 
Uniformizadas, 
Quem vos arrancara 
Dessas vestes tristes 
Onde a caridade 
Vos amortalhou! 

Ai quem vos dissera, 
Ai quem vos gritara: 
— Anjos debandai! 

Mas ninguém vos diz 
Nem ninguém vos dá 
Mais que o olhar de pena 
Quando desfilais, 
Açucenas murchas, 
Procissão de sombras! 

Ao cair da tarde 
Vós me recordais 
— Oh meninas tristes! — 
Minhas esperanças! 
Minhas esperanças 
— Meninas cansadas, 
Pálidas crianças 
A quem ninguém diz: 
— Anjos, debandai!...