CERTO OU DEU ERRADO OU...
NEM SEMPRE É FÁCIL ACERTAR,
MAS VAMOS LÁ...

01/03/2014

O mundo, um sonho dourado....


Incrível! Foi na TV -  semana passada - que ouvi a poesia de Casimiro de Abreu. 
Inacreditável, foram em 
 dois canais e em momentos diferentes. Vocês já sabem do que estou escrevendo: da nossa infância querida.

Infelizmente hoje em que tudo é reduzido a uma ostentação de marcas, luxo cheio de brilho, boca colorida e cada 
grupo fica no seu lé com lé, cré com cré, foi realmente uma surpresa maravilhosa lembrar da  infância. Das brincadeiras divertidas com amigos ou colegas, olho no olho, riso no riso, todos compartilhando a alegria e liberdade para estar junto e brincar. 

 "Meus oito anos" retrata bem a nostalgia da nossa infância... e pensar na vivência dos jovens de hoje..... 
                                                                       
Eis aí a poesia do jovem 
Casimiro de Abreu:

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !

Como são belos os dias
Do despontar da existência !
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor !

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !

Oh ! dias de minha infância !
Oh ! meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã !
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
- Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !